Morar sozinho tem algumas vantagens. Você não precisa dar satisfação para suas saídas, não precisa arrumar sua cama depois de acordar e nem se preocupar em jogar fora aquela pilha de garrafas de cerveja que cresce a uma velocidade assustadora. Isso é legal, porém outras coisas vem junto com o pacote: necessidade de lavar suas próprias roupas, comprar mantimentos para a casa e realizar operações físicas e químicas sobre certos materiais comestíveis que culminam em um almoço ou jantar cozinhar. Foi numa tentativa de realizar essa última ação que resultou nesse post.
Vindo de uma pessoa que até então só fez Miojo no microondas, reproduzir uma receito com mais de dois ingredientes (água e Miojo) é algo que beira a complexidade NP. Mesmo assim ouvi atentamente quando uma colega de laboratório falava sobre uma receita simples de macarrão: o macarrão ao molho de gorgonzola. Almoçar fora ou comer porcaria é legal algumas vezes mas chega um momento na vida do homem em que ele precisa comer algo que tenha derivado do seu próprio esforço. Tenho certeza que isso vem de algum instinto primitivo quando ainda morávamos em cavernas. Qual a graça de comer algumas frutinhas coletadas no mato se com uma lança e talvez alguns ossos quebrados você poderia comer um bistecão de mamute?
Enfim, decidido a receita fui a caça compra dos ingredientes. Para começar, o molho sugerido na receita, molho de ervas finas, estava em falta no supermercado. Tive que ir de molho de tomate mesmo. Não desencorajado por esse POG inicial continuei a compra dos outros ingredientes. Cheguei em casa e fui fazer o macarrão. Esqueci de colocar óleo na água o que me resultou em macarrões bastante unidos, coisa linda de se ver. Mexer um pouco a massa no escorredor me livrou temporariamente desse problema. Na hora de fazer o molho foi que precisei mais ainda das minhas habilidades cognitivas. Enquanto mexia o molho de tomate, que fervia numa panela, cortava os pedacinhos de gorgonzola no balcão. Terminado esse processo desliguei tudo e joguei o queijo e o creme de leite na panela (sim, é assim tão fácil). Dei uma misturada e voilá, tinha o meu molho de gorgonzola. Como usei o molho vermelho a aparência não ficou essas coisas todas. Sabe quando você mistura ketchup com maionese e a mistura não fica totalmente homogenia? Pois é, ficou mais ou menos desse jeito.
Provei do macarrão e… até que ficou bom! Mais um pouquinho de sal e eu tinha uma refeição altamente comestível em minhas mãos e que não me deu dor de barriga depois de ingerida. Isso me estimulou a tentar outras receitas quando eu não estiver desesperado com o meu projeto de pesquisa ou estudando para uma prova de Teoria da Computação (e você achando que a referência nerd no começo do artigo era aleatória). Moral da história 1: só se aprende fazendo. Moral da história 2: cozinhar é seguir um algoritmo. Se você não tiver preguiça ou medo de errar você acaba aprendendo.


a receita do fricasse não foi um big hit ainda. rs
e não é bem um algoritmo.
isso vindo de um cara que só fez um algoritmo na vida, na primeira prova de programação I na faculdade. tinha que sair uma pirâmide de bolinhas. funcionou. desisti.
mas voltando à arte da culinária. cada um desenvolve seu estilo, não obdece a receita até o final e vai aprendendo uma coisa ou outra, na marra.
Qdo vc menos esperar, vai se tornar um “mestre-cuca”! ehehehe
Vê se, ao tornar à Jampa, convida os amigos para experimentar os resultados de seu talento culinário, heim? rsrs